EUA elegem primeiro senador muçulmano e crítico de Israel

  • 04/11/2026
EUA elegem primeiro senador muçulmano e crítico de Israel
EUA elegem primeiro senador muçulmano e crítico de Israel (Foto: Reprodução)

O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA ao vencer a disputa no estado de Michigan, na terça-feira (3).

Ele derrotou o republicano Mike Rogers, apoiado pelo presidente Donald Trump, em uma eleição marcada por debates sobre Israel, antissemitismo e extremismo islâmico.

Filho de imigrantes egípcios, El-Sayed é médico e ex-diretor de saúde pública de Detroit. Sua vitória representa um avanço da ala progressista do Partido Democrata e mantém com os democratas a cadeira anteriormente ocupada pelo senador Gary Peters, que decidiu não disputar a reeleição.

Segundo a Associated Press e a Reuters, o democrata superou uma campanha de forte oposição republicana e críticas de organizações pró-Israel, que questionaram suas posições sobre o conflito no Oriente Médio.

Posições contra Israel provocam críticas

Durante a campanha, El-Sayed adotou uma postura de forte oposição ao governo israelense, classificando as operações militares de Israel na Faixa de Gaza como genocídio e defendendo o fim da assistência militar americana ao país, inclusive para armamentos defensivos.

Segundo o American Jewish Congress, o democrata também comparou a atuação do governo israelense à do grupo terrorista Hamas, classificou políticas israelenses como apartheid e questionou a definição de Israel como Estado especificamente judeu.

As declarações provocaram críticas de lideranças judaicas, que manifestaram preocupação com suas posições sobre a segurança de Israel e o antissemitismo. Posteriormente, El-Sayed afirmou em entrevista ao programa 60 Minutes que Israel tem direito de existir e reiterou seu compromisso com a segurança dos judeus.

Uma das maiores controvérsias ocorreu após o ataque à sinagoga Temple Israel, em West Bloomfield, Michigan, em março de 2026.

Na ocasião, um homem lançou um veículo contra a sinagoga, provocando um incêndio e deixando um segurança ferido. O agressor morreu no local.

Embora tenha condenado o atentado, El-Sayed afirmou que “pessoas feridas ferem outras pessoas”, relacionando o episódio a um ciclo de violência. A declaração foi interpretada por integrantes da comunidade judaica como uma tentativa de contextualizar ou relativizar o ataque.

Em agosto, o democrata pediu desculpas, reconhecendo que suas palavras poderiam ter causado sofrimento às vítimas e à comunidade judaica.

Outra controvérsia envolveu sua aproximação com o influenciador Hasan Piker, acusado de fazer declarações antissemitas e conhecido por comentários polêmicos sobre os atentados de 11 de setembro de 2001.

A deputada democrata Haley Stevens, derrotada por El-Sayed nas primárias, chegou a romper com o próprio partido na disputa pelo Senado e anunciou apoio ao republicano Mike Rogers, alegando preocupações com o antissemitismo.

Trump alerta contra jihadismo nos EUA

Na tentativa de impedir a vitória democrata, o presidente Trump participou de um comício em Port Huron, Michigan, no dia 25 de outubro, quando acusou El-Sayed de ligação com o extremismo islâmico.

“Estou aqui para impedir que um jihadista membro da Irmandade Muçulmana se torne senador dos Estados Unidos”, declarou Trump, segundo o PolitiFact.

O presidente também mencionou os atentados terroristas do 11 de Setembro e apresentou ao público o pai de Todd Beamer, um dos passageiros do voo 93 da United Airlines, que reagiram aos sequestradores antes de o avião cair na Pensilvânia.

“Vinte e cinco anos depois, Michigan precisa se levantar e lutar, assim como Todd fez, para impedir que um jihadista entre no Capitólio”, afirmou Trump.

O republicano ainda acusou El-Sayed de querer impor a lei islâmica, conhecida como sharia, nos EUA e questionou se ele poderia ter acesso a informações de segurança nacional.

Entretanto, as acusações de vínculos com organizações jihadistas ou com a Irmandade Muçulmana não foram acompanhadas de provas. El-Sayed negou qualquer ligação com o grupo e classificou os ataques como tentativas de desviar a atenção dos problemas econômicos enfrentados pelos americanos.

Fatores que levaram El-Sayed à vitória

Apesar das controvérsias, o democrata conquistou apoio com uma campanha concentrada em questões econômicas, especialmente o custo de vida, o acesso à saúde e a influência de grandes empresas sobre a política americana.

Entre suas principais propostas estavam a ampliação da cobertura pública de saúde, por meio do programa conhecido como Medicare for All, e a redução da influência do financiamento privado nas eleições.

 
 
 
Ver esse post no Instagram

Um post compartilhado por C-SPAN (@cspan)

El-Sayed também recebeu apoio de figuras progressistas, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Bernie Sanders, mobilizando jovens eleitores e setores da esquerda democrata.

Segundo a Associated Press, o republicano Mike Rogers enfrentou dificuldades para conciliar sua proximidade com Trump e a insatisfação de eleitores com a inflação, as tarifas comerciais e os efeitos econômicos da guerra com o Irã.

Michigan também possui uma expressiva comunidade árabe-americana, e as críticas de El-Sayed à guerra em Gaza contribuíram para sua identificação com parte desse eleitorado.

A vitória ocorreu apesar de investimentos milionários de grupos contrários à sua candidatura. A organização pró-Israel AIPAC destinou aproximadamente US$ 30 milhões à oposição a El-Sayed durante as primárias democratas, segundo a Associated Press.

A comunidade judaica, por sua vez, apresentou divisões. Uma pesquisa realizada entre eleitores judeus que votaram antecipadamente apontou que 60% apoiavam El-Sayed e 36% preferiam Rogers.

O levantamento também identificou uma migração de parte dos eleitores judeus democratas para o candidato republicano, motivada principalmente por preocupações com Israel e o antissemitismo.

Com a vitória, El-Sayed deverá assumir seu mandato em janeiro de 2027, tornando-se o primeiro representante da fé islâmica na história do Senado americano, em um momento de profundas divisões políticas e de crescente debate sobre a relação dos EUA com Israel.

 

FONTE: http://guiame.com.br/gospel/noticias/eua-elegem-primeiro-senador-muculmano-e-critico-de-israel.html


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. sonhos

voz da verdade

top2
2. lugares altos

renascer praiser

top3
3. soldado ferido

junior

top4
4. com muito louvor

cassiane

top5
5. fiel toda vida

rose nascimento

Anunciantes